sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Problemática

A Alfabetização – ensino-aprendizado de conhecimentos e habilidades de leitura e escrita – tem sido motivo de estudos e investigação científica, devido aos altos índices de fracassos nas séries iniciais em todo o país. Segundo dados do Ministério da Educação, de cada mil crianças que ingressam na primeira série, apenas 50% ou menos, aprenderam a ler ou escrever. Os fatores que desencadeiam esse quadro preocupante são vários. Dentre os mais citados, como a falta de recursos necessários, formação inadequada para os docentes, salários baixos e currículos impróprios, acreditamos que a questão do método adotado é o que deixa o professor mais inseguro.
Sabemos da necessidade que todo cidadão tem de ser alfabetizado, além do que, esse é um direito legítimo de todo ser humano. O termo alfabetização tem hoje um significado bem mais abrangente do que o de apenas saber decifrar o nosso código de escrita. Faz-se necessário o alfabetizar letrando, ou seja, o aprendizado da linguagem deve ser efetivada de forma que seja utilizada nas práticas sociais, e para fazermos parte integrante da vida social, devemos desenvolver também a capacidade de “leitura de mundo”. Segundo FREIRE (1992), ‘a leitura da palavra precede a leitura de mundo’, e nesse contexto surgem às crianças das camadas populares sedentas de tal capacidade – e os professores – profissionais responsáveis por essa tarefa tão difícil que é alfabetizar.
Segundo BORGES (1998):

Entre os séculos XVI e XIX foram experimentados os mais diferentes métodos de alfabetização, ora centralizados em procedimentos sintéticos, isto é, tendo como ponto de partida às unidades da língua (letra, som ou sílaba), ora em procedimentos analíticos, iniciando com frases, palavras ou textos. Identificar o “método milagroso” que pudesse assegurar aos alfabetizados o ensino da língua escrita era (e continua sendo muitas vezes) o sonho dos educadores e dos estudiosos da alfabetização.

No que diz respeito à procura de um “método milagroso”, Soares (2003a, p. 95) citado por Simonette (2005), afirmou que,

“É preciso não ter medo do método; diante do assustador fracasso escolar, na área da alfabetização, e considerando as condições atuais de formação do professor alfabetizador, em nosso país, estamos, sim, em busca de um método, tenhamos a coragem de afirmá-lo. Mas de um método no conceito verdadeiro desse termo: método que seja o resultado da determinação clara de objetivos definidores de conceitos, habilidades e atitudes que caracterizam uma pessoa alfabetizada [...]”.

Atualmente, existe um questionamento quanto a eficácia tanto do modelo sintético, quanto do analítico. Para a pesquisadora Emília Ferreiro, cada um desses possue as suas limitações. Assim,

(BORGES, 1998) “... as criticas feitas aos procedimentos sintéticos e analíticos de alfabetização apóiam-se no fato de ambos os métodos descuidarem do que se considera como fundamental na aprendizagem da leitura: a competência lingüística da criança e suas capacidades cogniscivas”.

Independentemente do método adotado – seja ele sintético, analítico, fônico, alfabético ou da linguagem total – deve-se levar em consideração o sujeito a ser alfabetizado, suas condições internas, a criança como ser único e epistemico – produtor do saber. Cabe ao professor, a tarefa de criar um ambiente propício a essa aprendizagem, tendo a consciência de que o déficit de estímulos necessários à leitura escrita dessas crianças não impede a aquisição dos saberes e de que é preciso mesmo lidar com as diferenças que ocorreram na escola com o passar do tempo. É uma realidade que as crianças não aprendem como as de “antigamente”.
Em pesquisas realizadas, percebeu-se que existem traços universais no desenvolvimento da leitura e escrita das crianças, ou seja, existe um tempo e uma forma para que elas assimilem o que lhes é passado.
É claro que se faz necessário à escolha de um ou mais métodos na práxis do educador e também a conscientização aos alunos sobre a natureza do aprendizado. Isso deve ser inculcado desde cedo, já que em casa existe essa “falha” de incentivo na maioria dos casos, e também acreditar que é possível reverter essa crise de leitores letrados pela qual a nossa educação vem passando. Isso envolve trabalho duro de aperfeiçoamento teórico, intelectual e afetivo.

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